Batalhas Inglórias
Amadeus


A desunião que reina na Terra entre os homens está contagiando também as religiões, de modo que as acusações recíprocas entre os vários credos agravam a situação já tão caótica do planeta.

Os líderes religiosos estão deixando de lado o objetivo primordial de seu trabalho, que é levar a paz e a orientação aos seus seguidores para que encontrem o caminho até Deus, e perdem tempo preocupando-se com a inutilidade da superioridade mística.

Os livros sagrados estão se tornando, além do clássico instrumento de pregação e de estudo doutrinário, também o arauto das interpretações maliciosas que servem para ferir outras religiões. Alguns ministros eclesiásticos e dirigentes de várias correntes espíritas e espiritualistas, não satisfeitos com as batalhas mortais que acontecem ao redor do planeta, resolveram criar suas próprias arenas. Esquecendo do respeito ao livre-arbítrio alheio, e se entregando à sistemáticas perseguições e acusações na tentativa de menosprezar e de anular a fé de outras religiões.

Os homens, assim, continuam sendo grandes inquisidores nos tempos atuais, que denominaram de Nova Era, mas que continua tão antiga quanto as anteriores.

Por outro lado, estão crescendo ainda as disputas pelo poder entre membros de uma mesma religião, mais preocupados com a vaidade do comando do que com a seriedade que envolve o culto ao qual pertencem. Deseja-se monopolizar a crença religiosa, e, como se isso não fosse suficiente, também monopolizar o monopólio. E daí é que surgem os falsos líderes e os falsos profetas, que esquecem do altruísmo. E nessa luta confirma-se que tudo é válido, principalmente a intriga e a maledicência, onde são levantadas questões mesquinhas e até infantis, carregadas de leviandades que mesmo ateus não teriam coragem de propagar. Onde a humildade perdeu a vez, dando lugar ao apego pela soberba, cercada, entretanto, de conspiradores latentes que atraem trevas e polêmicas destrutivas para os ambientes que seriam de paz.

As disputas, dessa forma, se tornaram inter-religiosas, mas também intra-religiosas, trazendo para essa área o perigoso caráter político do mundo profano, o qual se alimenta da hipocrisia, das perseguições, da inveja, e das injustiças. Fazendo com que instituições religiosas se tornem feudos a serviço de poucos, que se agarram politicamente uns nos outros, minando o trabalho de deveria ser edificado.

O mundo profano está doente e, parte do religioso, que deveria curá-lo, esqueceu da vacina para se tornar imune, a qual é composta de amor e de humildade.

Os homens, no entanto, ainda não compreenderam a inutilidade dessas batalhas inglórias. Estão lutando por nada, esquecendo do principal que continua adormecido em seus espíritos. Ainda não eliminaram de seus íntimos a arrogância e a vaidade.

A Terra ingressa no período de dias difíceis. O século será marcado pelas lutas entre os homens, em grandes e pequenos conflitos armados, mas também pela luta do homem contra a Natureza que ele não soube preservar. Muitos desastres naturais ocorrerão, bem como desencarnes prematuros em meio à violência ao redor do globo. Porém a grande maioria dos homens não reunirá forças morais e espirituais para atingir a paz com a consciência no caminho para Deus. Estarão mais preocupados com a força bruta e com o absolutismo do poder, esquecendo de seus reais objetivos na Terra, os quais exigem compaixão uns pelos outros.

Neste e no próximo século, com a aproximação mais intensa do astro intruso, muitos que desencarnarem sob o clima do ódio e do estigma da vingança entrarão em estado de torpor na erraticidade, não tendo mais tempo de reencarnar, a espera de serem conduzidos para os planos inferiores daquele orbe. Muitos avisos já foram dados nesse sentido.

Assim, unam-se, orem e acabem com as disputas pessoais, religiosas e outras que de forma daninha estão destruindo a civilização. Reconciliem-se, perdoem e esqueçam o mal que sofreram, pois isso faz parte de carmas que plantaram antes. Preocupem-se com as próprias batalhas pessoais na busca da evolução espiritual, e respeitem o livre-arbítrio dos demais. Tenham a grandeza de pedir clemência a Deus pelos seus inimigos e que eles recebam luz para refletirem sobre o que fazem. Tornem-se instrumentos de socorro fraterno ao próximo. Incentivem-se quanto a fé religiosa, independente de qual religião, e pratiquem a caridade junto aos necessitados e aos desamparados. Levem palavras e gestos de amor, de esperança e de perseverança aos enfermos. Priorizem a caridade e trabalhem em nome de Deus. Muito terá de ser feito nos próximos anos.


voltar-