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Brados de Paz Kuthumi (12 de maio de 2004)

Tendo a proposta de ser um caminho que religa o homem à Deus, a religião
impõe sobre si mesma a responsabilidade de ensinar aos homens o amor ao próximo,
o perdão e a prática da caridade, inclusive a imaterial.
Cabe então admitir pelos preceitos lógicos mais simplórios, que a
religião não deve se tornar a patrocinadora de polêmicas que dividam os
homens. Pois sua função é estabelecer que, a partir da paz individual, a
humanidade alcance o significado da vida voltada para a evolução do espírito.
E, sendo assim, acredite-se ou não em reencarnação, todas as religiões
admitem que a Terra é habitada por espíritos encarnados, mesmo que ao invés
de espíritos sejam chamados de almas. Caso contrário, não estariam revelando
a existência da vida além da matéria.
A figura divina presente em cada religião se torna, então, o ícone de
convergência de valores, na direção do qual cada indivíduo realiza suas
escolhas místico-religiosas, conforme o caminho que ache mais adequado. E Deus
não impõe tais escolhas, tendo em vista seu criterioso respeito ao livre-arbítrio
de seus filhos.
E a partir desse princípio básico e definitivo de respeito ao livre-arbítrio,
os mentores e líderes religiosos precisam adotar posições sensatas quanto à
difusão de suas doutrinas. Pois a coerência exige que o exemplo pacífico seja
dado por cada religião, que não deve ser transformada numa fortaleza contra as
demais, onde homens pregam suas crenças através de críticas a terceiros que não
compartilham com suas opiniões, em verdadeiros brados de guerra.
Vamos ver o que a história da Terra demonstra. Muitos países, em crise
política, tentaram resolver seus problemas internos jogando a culpa de seus
infortúnios no exterior, ou em credos religiosos e mesmo em raças. Essa forma
de desviar a atenção dos problemas domésticos, tornando-os submissos a questões
aparentemente mais graves geradas por outras fontes, provocou inúmeras guerras,
inclusive mundiais. E tal fato acontece até mesmo com os homens, que procuram
encobrir suas deficiências e imperfeições acusando e agredindo terceiros, sem
que, no entanto, vençam o ego e ajustem-se perante o óbvio de uma realidade
que não desejam ver.
E isso se aplica também às religiões, que muitas vezes lançam seus
seguidores contra as outras religiões, ao declarar uma guerra branca, espectro
de grandes cruzadas. Ao invés disso, deveriam se preocupar em aprimorarem seus
meios de trabalho, conduzindo seus seguidores à tranqüilidade e à paz com a
própria consciência, pois é disso que todos precisam. Porque ridicularizar,
acusar as outras crenças, e gerar animosidades é caminhar no sentido contrário
de Deus, e não na direção Dele.
As religiões, por conseguinte, devem se destacar pelas virtudes que
apresentam em seus livros, bem como pela capacidade prática de orientar para o
bem e de pacificar os homens que as seguem. Pois a humanidade já sofreu e sofre
bastante com as micro e macro guerras que assolam a sua história. Está na hora
dos líderes religiosos se unirem pelo bem comum do planeta, promovendo a
fraternidade dos homens e das crenças, através de brados de paz.