ANTE A  DOR 

                              Quando a alma mergulhar na carne repleta de vibrações, desejou transmitir toda a musicalidade que conduzia virgem, e para que o tumulto do ambiente não lhe perturbasse a evocação, perdeu, paulatinamente os registros auditivos para somente escutar nas telas da mente os acordes sublimes da natureza e de Deus  -   e  Beethowen ficou surdo.

Para expressar a melancolia suave e  a pungente saudade de algo que não se pode identificar, Chopin experimentou a amargura do coração perdido entre desejos e decepções.

                             Destinado a ferir as cordas da emoção e tangê-las com habilidade, o espírito retornou ao palco de antigas lutas para defrontar-se com inimigos acirrados e vencê-los através da autodoação, enchendo a Terra de musicalidade superior.

                             Inquieto, todavia, fraquejando sem cessar Schumann deixou-se arrastar pela caudal da obsessão, conquanto fizesse incomparável legado, através do Lied e das nobres melodias para piano.

                             Oh!  dor bendita e libertadora de escravo, discreta, amiga dos orgulhosos, irmã dos santos, mensageira da verdade, tantos necessitamos do teu concurso, que se nos afiguras um anjo caído, a serviço da misericórdia para sustentar-nos na luta redentora!

                             Ensina-nos a descobrir a rota da humildade para avançarmos com acerto.

                             A dor é mensageira da esperança que após a crucificação do Justo vem ensinando como se pode avançar com segurança.

                             Recebamo-la, pacientes, sejam quais forem as circunstâncias em que a defrontemos, nesta hora de significativas transformações para o nosso espírito em labor de sublimação.

                             O sofrimento de qualquer natureza, quando aceito com resignação e toda aflição atual possui as suas nascentes nos atos pretéritos do espírito rebelde, propicia renovação interior com amplas possibilidades de progresso, fator preponderante de felicidade.

                             A dor faculta o desgaste das imperfeições, propiciando o descobrimento dos valiosos recursos, inexauríveis, aliás, do ser.

                    Após a lapidação fulgura a gema.  
                    Burilada a aresta ajusta-se a engrenagem.  
                    Trabalhado, o metal converte-se em utilidade.  
                             Sublimado pelo sofrimento reparador o espírito liberta-se.

                          "de tal modo brilhe a vossa luz diante dos homens, para
   
                                        
que eles vejam as vossas boas obras e glorifiquem o
                                               
vosso Pai que está nos Céus."Matheus 5.16”

 

                                                                   FRATERNALMENTE

 

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